e depois da chuva

ela era uma rapariga cheia de sorte, com o universo sempre a conspirar a favor. às vezes até duvidava, temia, sobre se seria merecedora de tanta abundância e felicidade, o que estaria ainda por acontecer. mas depois lembrava-se que o pior que lhe tivera acontecido apenas foi uma oportunidade de acordar, despertar para uma nova visão, elevar-se. e, por isso, hoje aceita com tranquilidade cada dia menos bom, inspirando fundo, expirando longamente. e acolhe também com serenidade e otimismo quem se aproxima revoltado com a vida. reconhece que tudo precisa de fluir, no seu tempo, no seu lugar, tal como as estações do ano com todas as suas teimas e feitios.

hoje ela reconhece que a dias cinzentos, feitos de chuva e vento e frio e mar revolto, sucedem-se dias de sol, calor e brilho. em vez de se impacientar com o estado do tempo, deixa-se fluir junto com a chuva que cai, o vento que sopra, o mar que cospe espuma. sabe que, no fim, terá afastado a angústia, tristeza, revolta e o sol brilhará. na verdade, o sol sempre ali esteve, acima das nuvens, um pouco acima de nós. bastaria cruzar os céus, atravessar o Atlântico, subir um gigante pé de feijão como já fez o João e descobriríamos que o sol sempre ali esteve.

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