do que somos feitos

há histórias de tristeza e alegria, há risos e lágrimas, há tédio e euforia na sala de espera de um aeroporto. lembro-me de, muito pequena, ver o meu tio vindo da América ser recebido pelo meu pai, e do abraço que uniu dois irmãos no estreito corredor das chegadas, juntos, a terem-se apenas um ao outro, naquela notícia que havia atravessado céus – “o pai morreu”. lembro-me do oposto, da alegria imensa de uns pais a acolher de volta quem tinha decidido ir estudar lá fora. e das rosas de quem, nestes momentos, se sente mais completo depois de metades separadas pelos voos da vida.

há rostos que se transfiguram, sorrisos que se soltam, há olhos húmidos entre aqueles que se reencontram na sala de um aeroporto, pais e filhos, avós e netos, namorados e namoradas, mulheres e homens. gente em trabalho, em estudos, em passeio. e um cão que faz de tudo para saltar do colo da dona para o do dono que acaba de chegar. dona que ao vê-lo muda de aura, num instante.

vale bem a pena, num aeroporto, trocar o desespero da espera e a ocupação fútil pela observação, estas observações, e perceber que tudo se resume à eterna vontade de nos religarmos. de regressarmos a casa. e enfim perceber de que é que somos feitos.

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