um só

era sempre assim no final da aula de yoga. fechava os olhos e permitia-se relaxar profundamente. mas naquele dia os dez minutos de relaxamento pareceram uma eternidade. era manhã mas ela transportou-se para a noite. estava deitada no chão mas chegou ao céu, abraçou a lua e viu-se rodeada de estrelas. naquela imensidão, sentindo-se plena, completa, feliz, veio-lhe ao pensamento o marido, a mãe, o pai… como poderia sentir-se assim tão plena, completa e feliz, longe daquela gente a quem chamava família? mas, afinal, eles também ali estavam e riram-se e disseram: “fizemos um bom trabalho.” e, na certeza de um propósito cumprido, desvaneceram-se os rostos, fez-se uma só névoa de luz, subindo, sumindo, em espiral. e ficou a certeza: não podia haver dor ou saudade naquele lugar, porquanto não havia separação. desfeita a encarnação de papéis, era-se uno. um só.

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