olhar as nuvens

quando se viaja e tudo é novo e nos surpreende, consegue-se um estado de presença e de encantamento inversamente proporcional àquele em que se encontram os que, ao contrário de nós/turistas, estão apenas a cumprir rotinas. inversamente proporcional ao estado em que, inconscientemente, mergulhamos na maior parte do nosso tempo – aquele que nos leva a ansiar por um fim de semana, por umas férias ou por um dia solarengo.

quando viajo, é demasiado fácil colar-me à janela do avião e, feita criança, ficar a olhar as nuvens e a tentar adivinhar-lhes o sabor – será que sabem a algodão doce ou a espuma do mar?- e a textura – será que se desfaz ao toque ou cola-se e fica-se peganhento? enquanto isto, os restantes passageiros – notoriamente locais ou trabalhadores fazendo um voo rotineiro – folheiam as revistas a bordo ou colocam os tablets em modo cinema. como se não houvesse céu, luz, vida lá fora. nada contra. um dia trocaremos de lugar. eles estarão colados à janela a ver o que não conhecem e eu agarrada ao meu smartphone. mas seria bom se nos lembrássemos mais vezes, entre os afazeres diários, de como somos quando viajamos. seria demasiado fácil surpreendermo-nos, encantarmo-nos e entregarmo-nos aos mais simples e pequenos momentos do dia a dia. e descobriríamos que mesmo um dia de chuva ou de trabalho pode ser majestoso e que nunca deixamos de viajar.

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