arrábida: na biovilla

não me distraí da vida, de mim, nestes últimos sete meses. a cada passo observava-me e sabia para onde ia. fui Deus e Diabo sem julgamentos. houve vida e morte em mim e, ainda assim, continuei. a cada pedra no caminho, uma queda e, no entanto, eu fui cada pedra, cada queda, cada ascensão. erguia-me a cada momento e somente perguntava baixinho “o que tenho de aprender com isto?”. as respostas chegaram-me também assim, sussurradas, e tudo à minha volta as confirmava. sou cada vida, cada morte, aceitando e deixando tudo fluir.

não me distraí da vida, de mim, e ainda assim… quanto me deixei absorver por este tempo mais do que julgava! quanto me ausentei, deixando a mente levar-me em correntes contra as quais é difícil remar!

por isso, e de novo, fiz das férias de verão mais do que uma pausa no trabalho, uma profunda reconstrução de sentidos e encerramento de capítulos. mais do que evasões, introspeções, renascimento. e neste lugar, que encontrei em pleno Parque Natural da Serra da Arrábida, a Biovilla Sustentabilidade, eu me sentei e aquietei. despi a armadura, declarei-me tréguas e levei-me com o vento. um lugar assim, com alma, natureza, é tudo quanto se precisa para Ser e Estar.

não terá sido por acaso que, este ano, neste tempo, me tenha sentido impelida para este destino, feito de serra, escarpas, enseadas, mar. para a Biovilla, feita por gente que vê para lá do que se vê, gerando sustentabilidade, elevando consciências.

e perceber o ciclo que ali se fechava (ou iniciava) – entre a energia daquela terra, assim árida, quente, seca, frenética, e aquela outra sentida pela mesma altura, no ano passada, em Sintra, a partir do Almáa Sintra Hostel, feita de névoas, humidade, suavidades, lua – foi uma sincronicidade do tamanho da noite, da chuva de estrelas, dos vales que ali me embalaram e serenaram abruptamente.

o sol tímido e a chuva miudinha do último dia – não chovia há três meses – confirmaram o que ali me levou. por isso, quando na despedida me disseram “o bom acaba depressa”, discordei. o bom é o que se perde e ganha a cada momento, é o que se leva das férias para o resto do ano, é o que vem depois. é o que aí vem.

 

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