do cansaço

ela pensa sempre: desta vez, não vou chorar. mas chora, e desalmadamente.

ela pensa sempre: tenho feito um maravilhoso caminho de cura e por ele estou profundamente grata. mas naquele instante vão-se-lhe as forças, até a vontade de as ter.

então, já muda, grita: que se lixe, que se lixe tudo. e abandona-se naquele instante. ela sabe bem quem é e o que faz aqui. tem sido forte, resiliente, valente. perdoa-se de tudo e de tudo se reergue. mas o sonho demora e continuar a sonhar cansa. e ela, às vezes, dá-se o direito de ficar assim prostrada, cansada, zangada. e chora, desalmadamente: estou cansada.

mas não se demora. aprendeu já a demorar-se cada vez menos nesse estado. deixa tudo vir, deixa que tudo se instale e faça sentir-se. procura o colo do parceiro de sempre. procura o silêncio de uma montanha na escuridão de uns olhos que se fecham. procura a certeza das ondas do mar a vir e a ir. recebe colo, pega nessa força que lhe dão e dá colo à dor, e então recompõe-se e recomeça.

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