dois mitos sobre a ilha da madeira

mar, um azul intenso, onde pudesse mergulhar e deixar-me estar a flutuar tranquilamente. sol, uma imensidão de luz, prazerosa e revigorante. verde, natureza pura, e o eterno retorno aonde mais me sinto e reencontro. estas variáveis, também traduzidas no desejo de limpar, abrandar, recarregar e namorar, foram as que determinaram a escolha do nosso último destino de férias: a Ilha da Madeira. um paraíso aqui tão perto e que, apesar de eleito “o melhor destino insular” da Europa, sofre ainda de alguns juízos errados. são estes que aqui deixo a descoberto…

mito um: não tem praias

foi o mito de que mais ouvi falar antes de partir… e que, se era praia que queria, tinha de ir a Porto Santo. cheguei mesmo a reservar um dia para uma visita a esta ilha (diariamente há ferryboats a partir do Funchal) mas acabei por não o fazer – não que não valesse a pena, estou certa que sim, mas cedo percebi que tinha muito para explorar na Madeira.

e, em matéria de praias, há quatro a não perder: duas de areia amarela importada (a da vila da Calheta e a da cidade de Machico) e duas de areia preta, as minhas favoritas (a Prainha, na Ponta de São Lourenço, cercada por uma paisagem árida e pintada a laranjas e castanhos; e a do Seixal, tendo defronte uma montanha de um verde exuberante).

há ainda as praias de calhau rolado que, apesar de pouco simpáticas para costas e pés, valem pela experiência inigualável. dentre estas destaco a pequena enseada junto ao porto de abrigo da vila piscatória Paúl do Mar (onde também se encontra a escultura “Homem do Mar” e uma imponente cascata) e a Praia Formosa, junto ao Lido. destas me servi para curtas pausas e mergulhar no Atlântico, que é, na verdade, o melhor que levamos daqui, pelas suas águas quentes, tranquilas e de cor cristalina.

não faltam ainda piscinas naturais de origem vulcânica (tão bonitas as de Porto Moniz e da Doca do Cavacas!), complexos balneares com todas as comodidades (um dia inteiro no Lido retempera todas as forças) e os chamados solários com acessos diretos ao mar.


mito dois: conhece-se em um a quatro dias

a seguir à falta de praias, foi o que mais me deram a entender: que a ilha é pequena, que alugando um carro dá-se-lhe a volta até num dia. pode até ser que, acordando bem cedo e viajando de carro com o espírito de “picar” os principais pontos turísticos do mapa, se possa levar uma boa imagem da Madeira, mas conhecê-la bem e vivenciá-la…

além das praias e piscinas, há as levadas e veredas, a floresta Laurissilva e reservas naturais, jardins e parques, e isto só para mencionar o que mais me atrai: a natureza e as atividades ao ar livre. depois importa demorarmo-nos pelos miradouros e pela estrada velha, com vistas de suster a respiração; por enseadas e esplanadas, preferencialmente degustando a gastronomia local, como bolo de caco e lapas, e bebendo uma “nikita”.

no Funchal, além da visita ao Jardim Botânico para conhecer uma das mais fascinantes coleções de plantas, vale a pena descobrir a zona velha da cidade, passando pelo Mercado Abastecedor e percorrendo as ruas estreitas, marcadas pela calçada de calhau rolado e pela “arte de portas abertas” (velhas entradas do casario transformadas numa galeria de pintura por artistas locais). depois há que calcorrear a Promenade do Lido, subir ao Cabo Girão (o mais alto promontório da Europa) e jantar no Estreito da Câmara dos Lobos (imperdível a espetada de carne em pau de loureiro, acompanhada de milho frito e seguida de um pudim de maracujá no restaurante Santo António).

a nordeste, paragem obrigatória na Foz da Ribeira do Faial e em Santana (aqui para ver as casas típicas e explorar o Parque Temático da Madeira, que dá a conhecer como nenhum outro museu a história e as tradições da ilha). a noroeste, é suster a respiração e deixarmo-nos encantar por São Vicente, Seixal, Porto Moniz e a cascata Véu da Noiva. a sudeste, antes de Machico e da Ponta de São Lourenço, paragem no Cristo Rei da Ponta do Garajau. a sudoeste, é começar na Ponta do Sol e seguir até ao farol da Ponta do Pargo. falhei o Curral das Freiras, o Pico do Areeiro e o Pico Ruivo mas, havendo tempo e estando céu limpo, não cometam o mesmo erro!

em suma, é uma questão de fazerem as contas. hum… não, quatro dias não chegam.

mapas e roteiros para download: www.visitmadeira.pt
para ver se o céu está limpo: www.netmadeira.com/webcams-madeira

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