a essência do chá

com a chegada do frio, pode haver coisa mais hygge do que uma mantinha nas pernas e um chá quente nas mãos, seja em casa recolhidos junto a uma lareira ou numa esplanada de um café entre amigos? ou haverá prática mindfulness mais simples do que sentir um chá a fumegar e degustá-lo gole a gole? mas será que estamos a tirar o melhor proveito desta bebida?

no Encontro com Vinhos e com Sabores, que se realizou entre 3 e 6 de novembro, no Centro de Congressos de Lisboa, tive a oportunidade de participar numa encantadora prova de chás, que me conduziu pela essência desta bebida, a segunda mais consumida no mundo, logo a seguir à água, mas ainda tão mal compreendida e verdadeiramente apreciada.

foi António Vieira da Cruz que nos levou – a mim e aos demais participantes – nesta viagem, tendo como ponto de partida o Oriente. por ali viajava António em trabalho quando conheceu os chás puros, genuínos e um manancial de sabores que mal chegam à Europa. também ali se inspirou a, juntamente com a mulher Margarida, lançar os Chás Andorinha, marca portuguesa que desde 2015 assume o propósito de recuperar as antigas rotas comerciais do chá e a trazer para cá os mais elegantes e autênticos.

mas, além da história e origens do chá – que podemos ficar a conhecer em maior detalhe aqui –, desde logo António também esclareceu que chá é apenas a infusão (entenda-se planta em água a ferver) que se faz a partir da planta Camellia sinensis, que são os casos do verde, do branco, do oolang, do preto, do pu’er, do kombucha, havendo também o fumado e os aromatizados (chás puros que diferem entre si consoante os processos de oxidação e fermentação a que são submetidos). todas as restantes infusões, à base de outras plantas ou até cascas de fruta, são na verdade  tisanas.

já quanto à forma, podemos encontrar chá prensado (como aquele que vemos aqui na foto, sendo assim que era transportado da região chinesa Yunnan para o Tibete, onde era trocado por cavalos), em pó (caso do agora muito badalado matcha, que não é mais do que chá verde moído, obtido a partir das suas folhas mais jovens e protegidas da exposição solar), em folhas soltas e em saquetas… mas, como no café, quanto mais moído, mais óleos essenciais se perdem e menos proveito tiramos das suas propriedades.

o ritual

António também revelou que, como o vinho, a qualidade do chá vai diferenciar-se conforme o terroir, por isso a origem conta; podem ser feitos blends, e os Chás Andorinha têm opções bem originais e que contam estórias, como o Vicenta (chá verde do Japão estilo “sencha”, com arroz tufado e matcha); e devemos cuidar da sua preparação, controlando seis variáveis para melhor desfrutarmos de todos os seus sabores e aromas: a qualidade das folhas (vale a pena escolhermos um chá puro, de folhas soltas), os utensílios (é importante passar o bule previamente por água a ferver e nunca usar um detergente), a água (de preferência engarrafada, com um PH 5 ou 6), a quantidade (para evitarmos sabores mais fortes e amargos), a temperatura (o matcha, por exemplo, é muito delicado e só deve ferver até aos 60o) e o tempo (dependendo do nosso gosto e se desejamos um sabor mais denso ou delicado).

e por que não fazermos em casa um ice tea, liberto de plástico ou açúcar, simplesmente colocando num bule pedras de gelo sobre o nosso chá favorito? podemos também acompanhar refeições com chá: o verde combina muito bem com um prato de peixe, o pu’er liga com um assado de carne e o matcha é perfeito para sobremesas (este último pode ainda ser usado como corante ou ingrediente na confeção de doces e gelados).

António é perentório: “trata-se de conhecer bem o produto, tirar-lhe o maior proveito. perceber a essência do chá é elevá-lo. deste modo contribuímos para a sua cultura.”

mais informações e loja online em chasandorinha.pt

 

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