adeus a ela

2018 não foi, para mim, apenas um ano que chegou ao fim. foi um ciclo de sete anos que se encerrou, que eu permito que se encerre. e, por isso, é tempo de me despedir aqui de algo a que atribuo muito importância, de uma parte de mim que já não cabe mais em mim e que não se identifica mais com quem eu sou aqui e agora, quem eu estou. por isso começo o ano de 2019 despedindo-me dela…

sim, ela. quem aqui, neste blogue, fez estórias desde 2013. ela que foi o meu espelho e o meu amuleto. minha personagem favorita. a espiritualidade numa figura feminina (a minha, mas que podia tão bem ser a de que qualquer outra pessoa).

era ela que, já na sua mais tenra juventude, se inquietava com o estado das coisas, com os sinais do universo, com as questões mais filosóficas, por isso se tendo feito ao Caminho de Santiago, pela primeira vez, em 2003. já se contou aqui como as imposições da vida em sociedade a tornaram sonâmbula, esquecida da sua essência, tendo-lhe valido uma grande crise de identidade há sete anos, choque por sonhos desfeitos e quebra nos padrões comportamentais mais automáticos… então sentiu-se a despertar de um longo sono.

mas esse despertar cedo se revelou duro. diz que quando a vida chega para nos fazer crescer, normalmente chega com tratamento de choque. e assim foi. ainda teve de passar por muitas provações. cada questão iluminada deixava um rasto de sombra. e também aqui e aqui se contou como assim foi procurando e explorando ferramentas que a pudessem auxiliar numa mudança interna, mas acusando demasiadas vezes cansaço.

a transmutação

em 2017 ainda sentiu um novo ciclo a vir e apareceu aqui, no blogue, com novas roupagens e uma vibração diferente. mas só em 2018 se apercebeu o quanto se havia apegado à sua história, à dor, à “carta que carregava” e assim resistia a mares e marés. e assim ela se descobriu negativa, pessimista, deprimida, palavra sem ação. e viu como isso era triste. ansiou por uma mudança e foi dando passos curtos, tímidos, desajeitados, confiando na estrada que segue sem a ver.

e eis que, deste modo, ela foi trocando a resistência pela entrega, a recusa pela rendição, o controlo pela flexibilidade, o medo pelo amor e confiança. e assim se desintegrou. largo-a agora. lamento que tenha tido de passar por tanto. perdoo-me por ter precisado de me alimentar dela. amo-a por ter sido quem foi. sou-lhe grata por ter estado aqui para mim.

por cá, nesta rubrica (“despertar”) continuarei eu mesma, a partilhar esta minha bagagem e sobretudo, mantendo espírito e mente de aprendiz, procurando trazer pessoas e ferramentas para me/nos inspirar a continuarmos religados.

ilustração de Isa Loureiro | www.isaloureiro.com

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