caminho do xisto da benfeita

a Serra do Açor – a quinta formação montanhosa mais alta de Portugal continental, parte da Cordilheira Central, situada entre a Serra de Lousã e a Serra da Estrela – serve de enquadramento a este trilho, com início e fim na aldeia de xisto da Benfeita.

por Teresa e Mário Malheiro

já há algum tempo que queríamos fazer este trilho, considerado um dos mais belos da região centro do país, mas receávamos que este tivesse perdido o encanto com os incêndios de outubro de 2017. felizmente, mais de 80% do Caminho do Xisto da Benfeita foi poupado.

Benfeita está inserida na Rede das Aldeias de Xisto e tem como principal caraterística as casas pintadas de branco e os caminhos maioritariamente em xisto. aqui encontramos a Torre da Paz, a única torre sineira no mundo que simboliza o término da II Guerra Mundial ao tocar 1620 baladas, uma por cada dia que durou a guerra, todos os anos no dia 7 de maio.

o percurso é circular podendo ser iniciado em ambas as direções. optamos por seguir no sentido anti-horário e, assim, junto da Torre da Paz, tomamos um caminho de xisto bem a jeito de uma singletrack (trilha de montanha estreita de passagem para uma única bicicleta/pessoa de cada vez) que nos levou em direção do vale da Ribeira do Carcavão. perante o abandono das terras de cultivo e casas, maioritariamente em ruínas, somos invadidos por uma enorme nostalgia e, por momentos, recuamos no tempo e imaginamos este local ainda povoado.

quedas de água e comunidade autossustentável

percurso muito sinuoso, com zonas de declive considerável, desviamo-nos das margens da ribeira após dois quilómetros, iniciando uma longa subida por antigos trilhos rurais. os muitos degraus de xisto pareciam não terminar! finalmente, atingimos um cume rochoso onde as vistas são deslumbrantes. a partir daqui embrenhamo-nos na Mata da Margaraça, já em plena Paisagem Protegida, onde abundam carvalhos, aveleiras, medronheiros, entre outros. um desvio não assinalado leva-nos a Fraga da Pena, onde existe uma zona de recreio (também acessível por estrada) e se despenha uma cascata com mais de 20 metros.

no decorrer do trilho fomos ainda surpreendidos por diversas famílias de ingleses, holandeses e alemães, que se instalaram nestes locais, comprando e restaurando casas e cultivando os terrenos abandonados – algo muito positivo para uma região tão desertificada, uma vez que são maioritariamente jovens casais, ali a constituírem família. pelo que pesquisamos, isto traduz-se já numa comunidade com mais de 250 pessoas e é incrível saber como vivem, sendo de relevar a utilização sustentável dos recursos naturais, como a água da ribeira e a energia solar. aqui vivem de uma forma tranquila, promovendo encontros sobre planeamento para um futuro mais sustentável e workshops de dança, yoga e meditação.

já na aldeia de Pardieiros, iniciamos uma longa descida, percorrendo muitos caminhos sobre levadas, agora em abandono mas que outrora serviram para a rega dos terrenos. e assim regressamos a Benfeita, cansados mas certos que cada trilho é uma aprendizagem e este foi seguramente bastante enriquecedor.


partida/chegada: aldeia da Benfeita, facilidade de estacionamento
tipo: circular
distância: 13 Km
duração média: 5h40
dificuldade: moderado
pontos de maior interesse: Ribeira da Mata, Fraga da Pena, Mata da Margaraça
observações: trilho marcações insuficientes, sugere-se utilização do Wikiloc

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