esclerose multipla o melhor depois do diagnostico

esclerose múltipla: o melhor depois do diagnóstico

“qual foi a melhor coisa que vos aconteceu depois de terem sido diagnosticados?” a questão surgiu na campanha 2020 para a celebração do Dia Mundial da Esclerose Múltipla, que se assinala este sábado, 30 de maio. a pergunta visa simultaneamente acabar com estigmas, convidando-nos a entrar no desafio #juntospodemos e a contar as nossas vitórias, sobretudo quando nos disseram que não podíamos

disseram-me que não podia engravidar, era arriscado, iria sofrer novo surto com graves sequelas. quando manifestei fadiga, questionaram-me se ainda queria ser mãe, como daria conta dos desafios da maternidade. já em fase de planeamento familiar, quando viram os hematomas deixados no corpo pela medicação injetável que tive de adotar, perguntaram-me se não seria melhor desistir.

confesso que essa foi a minha primeira e principal preocupação quando o diagnóstico de esclerose múltipla me chegou às mãos há dois anos: se podia engravidar. ser mãe era um sonho já há tanto tempo adiado – entre outros motivos, por complicações na saúde e duas gravidezes não evolutivas – que este assunto foi, para mim, o mais difícil de gerir, mas também a minha maior motivação.

acredito que o assunto também aflija uma grande parte das mulheres diagnosticadas com esta doença crónica, autoimune, pois ela afeta maioritariamente o sexo feminino em idade fértil. por isso conto: apesar do medo e do desconhecido, as possibilidades que a vida me deu depois do diagnóstico de esclerose múltipla têm sido muitas e boas. desde logo porque, sabendo o que me afetava e o que provavelmente explicava as recentes complicações de saúde, tinha a possibilidade de me tratar, cuidar, alinhar-me com o meu propósito.

o melhor que me aconteceu

já por aqui contei, há precisamente um ano, como surgiu o diagnóstico, como reagi, e como se tornou para mim evidente a necessidade de mudar de estilo de vida. não deixei de trabalhar nem deixei de fazer nada do que gosto, apenas passei a reconhecer os meus limites e a respeita-los, ajustando rotinas; tomei consciência dos meus comportamentos e pensamentos enquanto geradores de stress ou de vitalidade; redesenhei o espaço-tempo dedicado a cada dimensão da minha vida, da pessoal à profissional; abrandei, simplifiquei e, mais mindful, ganhei um novo equilíbrio e qualidade de vida.

talvez por isso, por essa estabilidade física-mental-emocional, e também naturalmente por ter sido logo bem acompanhada e medicada por uma excelente equipa de médicos e enfermeiros na área da neuroimunologia, finalmente engravidei e tudo vai bem comigo nesta fase – estou nas 24 semanas, sem surtos desde o diagnóstico.

mesmo sabendo que o período pós-parto é desafiante e que podem surgir imprevistos, sinto-me confiante. sei que essa mesma equipa – um bem-haja ao Serviço Nacional de Saúde, ao Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho e, em especial, ao Dr. Joaquim Pinheiro, à Dra. Helena Felgueiras e à Enfa. Sandra Maria Fernandes – estará sempre a vigiar-me, ou não fosse também quem mais me deu força e motivação, tirando-me “minhocas” da cabeça e combatendo todos os estigmas que absorvia na “rua” e levava para as consultas.

para mais informações sobre gravidez na esclerose múltipla, até porque neste contexto o planeamento familiar tem de ser cuidadosamente programado tendo em conta a atividade da doença, sugiro a visualização deste vídeo e também deste site.

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